o pipe perdido

Texto e Fotos: Jean Schwarz
Último fim de semana de agosto, sol forte e clima quente, inicia por aí a nossa jornada. Era sábado e eu estava trabalhando e ocupado com outras coisas, toca o celular mas não posso atender. No final do dia fui checar quem havia me ligado e só havia uma mensagem do Betão: "Cara preciso falar contigo agora, encontramos uma full pipe gigante e os caras já estão demolindo". Eu li a mensagem, mas na real imaginei que o assunto era sério mesmo. Domingão chegou e eu já acordo com o celular tocando tipo 07h da manha: "caverna, onde tu anda? Precisamos ir lá no pipe urgente", só que mais uma vez eu já tinha um trabalho para o domingo e continuei não visualizando as reais proporções daquele gigante adormecido; caiu a noite eu já estava pronto para descansar e nem tinha andado de skate. Era umas 19h, olhei o cel e tinha outra mensagem: "cara, o Zé andou lá e disse que o pico é alucinante e a primeira pessoa que ele pensou quando viu o pipe foi em ti, vamos lá agora". Naquele momento foi que despertei e o sangue começou a correr forte nas veias, eu estava na zona norte e tinha que ir até o centro na casa do Betão e de lá nós iríamos rumo ao pipe que se encontrava no Lami em local ainda desconhecido por nós. Quem tinha o mapa da mina era um grande amigo nosso e skatista local daquela região; saímos do centro direto e reto para o haras onde o Zé já nos aguardava no portão e dali sim veríamos o brinquedo dos sonhos. Estávamos ansiosos, noite estava quente e estrelada, muita motivação. Chegamos ao pipe tipo 10h da noite e eu olhei para aquilo e a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: “vou ligar pro Jean agora”, porque quero registrar isso tudo sem falta. Aquele pensamento foi esmagado pela vontade de dar o primeiro rolé de reconhecimento no pipe. Não deu para reconhecer muito bem, pois fazia muito barulho e a vizinhança começou a reclamar. Andamos um pouco, uns 30 minutos, mas eu não poderia me conformar somente com aquele tira-gosto. Fui pra casa. Tudo certo, já era tarde e eu tinha que trabalhar já na segunda às 7h. Acordei quase “expelido” pela cama. Não era uma segunda-feira comum. Eu me sentia diferente e algo me motivava a ligar para o Jean e ir até o pipe registrar tudo. Pensei: “azar, o máximo que vai acontecer é não rolar”. Liguei e falei com por volta das 08:30 e por coincidência, sorte ou destino, ele havia acabado de voltar de suas férias e estava livre naquele dia. Combinei tudo com ele e ainda chamei mais dois skatistas old school, Alexandre Poupa e Luciano Peixoto. Quando liguei para eles os dois não sabiam se iam ou não. O detalhe é que todos tinham seus compromissos de início da semana e do mês, mas o tempo, aquele velho amigo, foi generoso e nos deu essa oportunidade de realizar o sonho de andar e fotografar dentro de um pipe.





